terça-feira, 20 de maio de 2014

Onde estará a modelo que inspirou a Monalisa?

  (Foto: Reprodução)
Omistério que rodeia o corpo de Lisa Gherardini, a modelo imortalizada por Leonardo da Vinci como Monalisa, pode ser resolvido 600 anos após sua morte. Isso por que antropólogos e legistas pretendem fazer uma análise de DNA em restos ósseos que seriam desta nobre que viveu em Florença.
"Uma equipe de especialistas trabalha no DNA de uma mulher que poderia ser Lisa Gherardini", explicou Silvano Vinceti, presidente do Comitê Italiano para Avaliação de Bens Históricos, Culturais e Ambientais.
O paradeiro do corpo de Lisa Gherardini di Giocondo é um dos segredos mais bem guardados da história da arte, já que nem historiadores nem antropólogos legistas conseguiram esclarecer onde se encontra a musa de Da Vinci, morta, segundo documentos da época, em 1542. Sabe-se que foi enterrada no convento de Santa Úrsula, em Florença, pois há documentos escritos pelo pároco da igreja que confirmam o sepultamento.
"Isto é certo, Lisa Gherardini foi enterrada ali, mas em meados de século XVI a igreja sofreu uma remodelação", lembrou Vinceti, que explicou que foi então que se perdeu sua pista.
Agora as investigações, iniciadas há dois anos pelo Comitê Italiano para Avaliação de Bens Históricos, Culturais e Ambientais, para encontrar o lugar no qual repousa um dos rostos mais famosos do mundo, estão chegando na fase final. Há dois anos, cientistas do comitê presidido por Vinceti desenterraram o esqueleto de uma mulher contemporânea de Lisa Gherardini.
Para sua identificação foi aberta a Capela dos Mártires na basílica da Santíssima Anunciação de Florença, onde está enterrada a família de Gherardini. "Do sepulcro foram extraídos restos de seu marido, o comerciante florentino Francesco do Giocondo e de um de seus cinco filhos, Piero, além de Bartolomeo, outro filho, fruto do primeiro casamento de Giocondo", explicou.
Desde então os corpos foram submetidos a vários exames para determinar se verdadeiramente pertencem à família Giocondo, já que a capela foi vendida a outra família no século XVIII. Os resultados foram positivos, e agora, o paradeiro de Lisa parece estar a ponto de ser revelado, pois uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bolonha (cidade) comparou o DNA dos restos ósseos achados em Santa Úrsula com o dos familiares da modelo imortalizada por Da Vinci na pintura do início do século XVI.
A equipe é dirigida por Giorgio Gruppioni, chefe do laboratório de Antropologia Óssea da Universidade de Bolonha, e Antonio Moretti, da Universidade de L' Aquila. "A extração do DNA não é uma tarefa fácil e exige tempo, por isso é impossível precisar uma data concreta em que teremos os resultados", explicou Vinceti.
Mas ela é a Monalisa? O que parece incontestável é que Lisa Gherardini foi a mulher retratada por Leonardo da Vinci. Vários documentos conservados no Arquivo de Estado de Florença demonstraram que Monalisa nasceu e viveu na Toscana italiana.
A nota encontrada na margem de um livro que é conservado hoje na biblioteca da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, confirma, pelo que Agostino Vespucci, amigo de Leonardo da Vinci, escreveu: "Leonardo se encontra trabalhando em três obras pictóricas, incluindo o retrato de Lisa Gherardini".
"Também o escritor Giorgio Vasari disse em 1550: 'Leonardo fez para Francesco Di Giocondo o retrato de sua esposa Mona Lisa'", acrescentou Vinceti.
La Gioconda, seu título original,  significa 'a sorridente' em italiano. É um óleo sobre madeira de 77 por 53 centímetros, pintado entre 1503 e 1519, e comprado pelo rei Francisco I da França no início do século XVI. Desde então é propriedade do Estado francês e está aberta à visitação no Museu do Louvre.
Em 1911 a obra foi roubada em Paris, e encontrada dois anos depois em Florença. Desde então nunca retornou ao berço do Renascimento, nem mesmo para uma exibição temporária. O comitê italiano luta há anos para que a pintura retorne temporariamente à Itália, e chegou a enviar uma carta ao diretor-geral de Patrimônio do Ministério da Cultura da França, Vincent Berjot, que descartou esta possibilidade.




OMetropolitan Museum of Art, mais conhecido como MET, de Nova York, acaba de disponibilizar mais de 400 mil imagens de seu acervo para download gratuito. E o melhor: elas estão em alta resolução. Ou seja, é possível ver este Manet em detalhes, até conferir as pinceladas do artista:
"Pescando" de Edouard Manet (Foto: Divulgação - MET)


De acordo com o diretor do museu, Thomas P. Campbell, a ideia faz parte da nova política de acesso livre à arte. "Nos unimos a um número cada vez maior de museus que fornecem acesso gratuito a imagens de domínio público". 
Para acessar o acervo, basta clicar neste link - as imagens abertas estão identificadas pela sigla OASC logo abaixo de sua miniatura. 
Museu do Amanhã contará com experimentos interativos (Foto: Divulgação)

A
partir de março de 2015, quem visitar a região portuária da capital fluminense terá a chance de entrar em contato com um ambiente repleto de experiências científicas. O Museu do Amanhã, como será chamado o espaço, permitirá que os visitantes explorem esse universo, aventurando-se por temas como pensamento, vida, mudanças climáticas, integração global e diversidade na natureza.
Recurso será invisível ao público, mas vai armazenar um banco rico de informações científicas
O que as pessoas que visitarem o museu não vão saber, no entanto, é que por trás das aproximadamente 80 experiências em que consistirá o local, há uma ferramenta intitulada como Cérebro, por meio da qual a equipe do Museu do Amanhã sistematizará novos dados sobre os temas abordados pelo espaço.
“Para que essas experiências sejam sempre atualizadas e possam passar informações sobre o amanhã de uma forma consistente, precisa existir um sistema por trás”, explica Paulo Armando, responsável pela área de desenvolvimento de software da Radix, empresa que desenvolveu o Cérebro. “Ele vai funcionar de forma a coletar informações de instituições de pesquisa do mundo todo — universidades americanas, a Nasa, centros de pesquisa europeus, centros nacionais.”
Visualização da ferramenta que alimentará o conteúdo do museu (Foto: Divulgação)

O recurso, que começou a ser desenvolvido em outubro de 2013, será invisível ao público, mas vai armazenar um banco rico de informações científicas (documentos, imagens e vídeos), que servirão de base para os experimentos do museu.
De acordo com Armando, o programa ainda tem a função de administrar visitas e fornecer informações mais profundas ao usuário na internet. “A equipe deseja que o museu procure identificar como foi a experiência e participação do usuário— quais experimentos visitou, quais informações procurou saber”, diz.
A ideia é que quando uma alguém entre no museu, receba algum tipo de identificação — como uma espécie de QR Code — e passe o código na experiência com a qual interagir. Mais tarde, ela ainda vai poder buscar mais informações sobre aquele tema no site do museu, ao informar o mesmo código.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Peladas

Armando Nogueira

 Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto.
 E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe”. Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.
 Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro joga sem camisa.
 Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula.
 Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho. Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA – Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais seria barrada em recepção do Itamaraty.
 No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.
 Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.
 Nova saída.
 Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.

 O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar. Em cada gomo o coração de uma criança.